Dizem que depois da primeira vez fica mais fácil... outros que vicia. Seja pela explicação que for, gostei da parada de tatuagens.
E voltei ao estúdio do Fabinho para marcar a música da minha vida na pele.
O solo de trompete de Miles davis em So What é dessas interpretações que mudam a vida de uma pessoa. Sempre foi minha música preferida do "Kind of Blue" e o tema que me inspira e me conforta.
Mas resolvi fazer de uma maneira original. Na verdade sonhei com as notas exatamente onde elas foram parar: no antebraço esquerdo, à vista o suficiente para me inspirar, mas ainda assim discretas, sem exibicionismo.
Enfim, o Fabinho fez outra obra-prima e cá está a segunda tattoo deste escriba.
E para quem ficou imaginando o que é exatamente este trecho, ouçam a gravação original do nídeo abaixo. As notas tatuadas são o início do solo, aos 1:32 do vídeo.
Triste é viver na solidão Na dor cruel de uma paixão Triste é saber que ninguém pode viver de ilusão Que nunca vai ser, nunca vai dar Num sonhador, tem que acordar Sua beleza é um avião Demais pra um pobre coração Que pára pra te ver passar Só pra me maltratar Triste é viver na solidão Triste é viver na solidão Na dor cruel de uma paixão Triste é saber que ninguém pode viver de ilusão Que nunca vai ser, nunca vai dar Num sonhador, tem que acordar Sua beleza é um avião Demais pra um pobre coração Que pára pra te ver passar Só pra me maltratar Triste é viver na solidão Triste é viver na solidão Na dor cruel de uma paixão Triste é viver na solidão Na dor cruel de uma paixão Triste é saber que ninguém pode viver de ilusão Que nunca vai ser, nunca vai dar Num sonhador, tem que acordar Sua beleza é um avião Demais pra um pobre coração Que pára pra te ver passar Só pra me maltratar Triste é viver na solidão
" - Sabe a garota do copo d’água? - Sei. - Se parece distante talvez seja porque está pensando em alguém. - Em alguém do quadro? - Não. Um garoto com quem cruzou em algum lugar e sentiu que eram parecidos. - Em outros termos: prefere imaginar uma relação com alguém ausente a criar laços com os que estão presentes. - Ao contrário. Talvez tente arrumar a bagunça da vida dos outros. - E ela? E a bagunça na vida dela? Quem vai pôr ordem?
~trecho do filme Le Fabuleux destin d’Amélie Poulain"
E eu reposto e refaço a pergunta
E o coração dele? E todo o sentimento que ela desperta, toda a compreensão que ele trabalha em sim? E toda a dor de vê-la tão perto, mas ao mesmo tempo tão longe?
E os planos cancelados em cima da hora, as expectativas mínimas não correspondidas, as estranhas e radicais viradas?
Depois de dar uma enrolada básica, finalmente tomei coragem e procurei um estúdio de tatuagem bacana pra concretizar o desenho foda que o Guilherme Jotapê fez especialmente para este escriba.
Com a ajuda dos leitores daqui e do Wordsmith, o modelo escolhido foi o escorpião sem preenchimento - só o traço forte e estilizado do brother Gui.
Uma horinha depois, o bichão estava lá, subindo a panturrilha esquerda e dando força na caminhada de todo dia.
Depois de um período de certa indecisão - com o coração balançando mais que a bolsa de NY - as coisas se ajustaram o suficiente e em tempo hábil de marcar a entrada no período do meu aniversário.
Neste dia 12 de outubro entro no chamado Inferno Astral. Que promee ser um dos melhores até hoje.
O objeto do meu afeto está pertinho de mim. Tenho tido a chance, a honra e o prazer de conviver com ela - aprendendo a conhecê-la, a admirá-la cada vez mais.
E aprendendo a esperar.
E a desfrutar cada novo dia, cada conversa, cada chance de ver, ouvir, sentir, conviver.
Tem certas coisas que a gente precisa externar pra compreender melhor. Por incrível que pareça, numa conversa com minha irmã surgiu uma hipótese que é válida - embora triste para este escriba.
O fato do amor citado no post anterior ser unilateral não equivale a uma chance automática de reciprocidade. Ela mesma teve uma experiência em que o cara estava totalmente apaixonado mas ela sentia um carinho de amigo, apenas.
O tempo que estou disposto a dar (e que não se esgotou, diga-se de passagem), pode ser o suficiente para se pereber que ela não gosta e nem vai gostar da mesma maneira - apesar de todas as provas, tentativas de conquista e gestos grandiosos.
Aceitar isso não muda o que sinto... mas pode vir a diminuir o sentimento de sofrimento, mimimi e pentelhação a que vou estar exposto - e a que vou expor os cada vez menos numerosos leitores.
Como nada acontece por acaso, na sequência meu iTunes jogou no shuffle a música abaixo, do Jack Johnson.
Letrinha boa do surfista do Havaí.
Well I was sitting, waiting, wishing You believed in superstitions Then maybe you'd see the signs
The Lord knows that this world is cruel I ain't the Lord, no I'm just a fool Learning lovin' somebody don't make them love you
Must I always be waiting, waiting on you Must I always be playing, playing your fool
I sang your songs, I danced your dance I gave your friends all a chance But putting up with them Wasn't worth never having you
Maybe you've been through this before But it's my first time so please ignore The next few lines cause they're directed at you
I can't always be waiting, waiting on you I can't always be playing, playing your fool
I keep playing your part But it's not my scene Want this plot to twist I've had enough mystery Keep building it up Then shooting me down But I'm already down
Just wait a minute Just sitting, waiting Just wait a minute Just sitting, waiting
Well, if I was in your position I'd put down all my ammunition I'd wonder why'd it taken me so long
But Lord knows that I'm not you And if I was, I wouldn't be so cruel Cause waitin' on love aint so easy to do
Must I always be waiting, waiting on you Must I always be playing, playing your fool
No, I can't I always be waiting, waiting on you I can't always be playing, playing your fool
Tendo dito isto, o restante do post pode ou não ser lido pelo caro leitor, pela querida leitora. Teremos mimimi, elucubrações pseudo-antropológicas, oscambau. Afinal, este é MEU espaço pessoal.
Na vida deste escriba passaram pessoas especialíssimas. Amores, paixões, entusiasmos - em 36 anos dá pra acumular uma história grande, ainda mais tendo morado em lugares tão diversos pelo Brasil e pelo mundo. Algumas dessas paixões vieram rapidamente, em encontros fortuitos que viraram fogo. Outros foram construídos em relacionamentos mais longos, se transformando em algo a mais com o tempo.
Mas apenas duas vezes nesta vida o amor forte me pegou de jeito. Uma ainda no colégio - daqueles amores adolescentes que geram obras clássicas ou poeminhas ruins e moldam toda uma vida amorosa. Ela acabou se casando com um dos meus melhores amigos da época. É, sou loser desde novo.
O outro grande amor apareceu do nada, apresentada pelo meu chefe da época e acabou se transformando em esposa. Foram três meses entre o primeiro beijo e a entrada no apartamento comum que dividimos por muito tempo. Acabou relativamente bem - se bem pode ser a definição do fim de um relacionamento. Pessoas evoluem de maneira diferente e seguem suas vidas.
Tooooodo esse nariz de cera é pra dizer que desta vez a parada veio estrondosamente. Se no início parecia uma saída qualquer com os amigos de NoB, a coisa evoluiu deste lado para uma admiração profunda. Conhecendo-a através dos textos, referências e histórias de vida, a admiração foi crescendo para algo a mais.
Confundi algo? Me adiantei demais? talvez, mas tal é a natureza humana. O fato inescapável é que essa pessoa especial me cativou ao ponto da distração. Pela primeira vez na vida deste escriba estou completa e perdidamente apaixonado. A simples admissão pública desta condição me é difícil - e pode ser desastrosa. E se o blog é o espaço confessional por natureza, no meu próprio blog pessoal preciso fazer essa admissão.
Mas não dá mais pra segurar. A simples definição do termo "perdidamente apaixonado" não basta para descrever o que sinto. Isto é Ágape ou Eros? Uma mistura dos dois, talvez. Pensar o dia inteiro na mesma mulher, vê-la em cada esquina, lembrar dela a cada coisa interessante, vontade de compartilhar cenas, situações e conquistas...
... e respeitar o seu tempo.
Acho que essa é a maior prova de amor que posso dar. Ela é uma pessoa especial, com sua história, seu próprio tempo e toda uma adaptação a ser feita ainda. Este amor unilateral - no momento - pode vir a se transformar no relacionamento que espero. Ou não.
Mas me reconhecer assim, forte e conscientemente apaixonado, é um dos melhores sentimentos que um homem pode ter.
Trilha do post:
Hello! Is it me you're looking for? Becuase I wonder where you are And I wonder what you do Are you somewhere feeling lonely? Or is someone loving you? Tell me how to win your heart For I haven't got a clue But let me start by saying I love you